O documentário Pro dia nascer feliz apresenta a realidade de algumas escolas em diferentes regiões do Brasil, como as da região nordeste e sudeste, mostrando assim a relação entre professor e aluno, as dificuldades educacionais de ensino e aprendizagem enfrentadas por eles em um contexto bem complexo envolvendo questões sociais, culturais, econômicas, políticas e ideológicas. Podemos então analisar estas questões associando-as a problemática do currículo.
A
escola de Pernambuco no nordeste como já poderíamos esperar tem uma educação bem
precária, uma estrutura escolar que deixa muito a desejar, pois faltam
condições básicas de higiene, que causam um impacto nos alunos ao se depararem com essa triste realidade
Podemos perceber que os professores e alunos se encontram desmotivados e
sem interesse, e os alunos que demonstram interesse na aprendizagem acabam
desenvolvendo de uma forma independente a absorção do ensino. Uma das alunas
relata que faz textos poéticos, mas a professora não acredita que foi ela a
autora desse trabalho. Nessa situação notamos que um currículo tradicional e
fechado está presente, pois o professor se vê como o único detentor de
conhecimento, vendo no aluno um ser incapaz de produzir conhecimento.
Observamos também que não há uma troca de conhecimento entre ambos.
Já em uma segunda escola em São Paulo observamos uma melhora na
estrutura física, mas os problemas educacionais são os mesmos. Destacaremos um
deles: uma aluna relata que não dá para programar um cinema ou teatro na escola
por falta de dinheiro. Notamos que nesse relato os alunos são privados de
desenvolver atividades culturais por questões financeiras, assim é notável a
presença de um currículo que não atende a realidade dos alunos, pois não
viabiliza a condição necessária para promover a mudança dessa situação, possibilitando,
então a prática dessa atividade aos alunos.
Já uma escola católica de classe média alta em São Paulo poderia não ter
problemas, mas essa condição ampla de recursos não a torna isenta de
dificuldades educacionais. Notamos que nessa escola há notas baixas, pois os
alunos se preocupam com outras coisas. Como uma aluna que diz que é chamada de
muito estudiosa, sendo criticada por não namorar. Outros alunos reclamam da
ausência dos pais, por serem muito cobrados pelos pais e por eles mesmos.
Questionam por não terem muitas de suas perguntas respondidas. Observamos nessa
situação um currículo que só valoriza os conteúdos, sem valorizar a
subjetividade dos alunos, o que causa uma espécie de desmotivação e depressão
nos alunos em relação aos estudos. Notamos também a não participação familiar
na vida diária e educativa dos estudantes, necessitando assim que a escola
trabalhe essa relação família, escola e aluno.
A
última escola traz a junção de todos os outros problemas das demais, porém apresenta
uma violência extraclasse e familiar, o que acarreta também um insucesso
escolar em várias situações.
O
documentário apresenta a fala de um estudante que desabafa que se o ensino
fosse bom não precisaríamos de cotas em universidades brasileiras. Observamos
então que é uma situação que deve ser bem analisada por nossos governantes para
resolver a questão do fracasso escolar em nosso país.
Algumas atividades educativas que foram apresentadas no documentário
como fanzine, o grupo afro brasileiro, que desenvolvem a criatividade dos
alunos através da expressão intelectual e musical, vem demonstrar a construção
de um currículo que valoriza as multiplicidades, subjetividades, diversidades
culturais promovendo a motivação dos alunos independentemente da classe social
que eles ocupam.
Enfim a problemática educacional e curricular presente nas escolas
necessitam de mudanças urgentes e reais para que não haja apenas uma maquiação
dos dados repassados à sociedade. É uma questão que envolve todos os setores
sociais.
Joanna
Katiuscia Gomes – Aluna do curso de Pedagogia da UESPI.