segunda-feira, 21 de outubro de 2019
SOCIOLOGIA DA EDUCAÇÃO
O autor Alberto Tosi Rodrigues relata no capítulo V de seu livro Sociologia Da Educação sobre as três visões sobre o processo educacional no século XX. Onde apresenta uma linguagem simples e compreensiva de uma sociologia da educação englobando as ideias do sociólogo francês Pierre Bourdieu, do líder comunista, intelectual, italiano Antônio Gramsci e do sociólogo Húngaro Karl Mannheim.
Abordaremos as ideias de Gramsci e de Mannheim. O autor Rodrigues mostra que Gramsci nunca publicou obras em vida, mas deixou artigos e cadernos manuscritos enquanto esteve preso sob domínio do estado fascista italiano . Essas obras publicadas após sua morte representam fontes de valor filosófico, social e político de uma forma ímpa.
Rodrigues mostra que Gramsci em sua concepção de uma reforma intelectual e moral atualizou as ideias de Marx, pois a visão Marxista era para uma sociedade com um capitalismo atrasado presente no século XIX. Gramsci relata a presença de um capitalismo avançado na primeira metade do século XX.
Rodrigues apresenta que Gramsci faz uma distinção política entre o Oriente e Ocidente, onde no Oriente os países, estados, estruturas políticas concentram todo o poder e a sociedade civil é fraca e desorganizada não podendo se contrapor, a única solução é investir contra o estado. No Ocidente os países apresentam uma sociedade organizada capaz de dividir com o estado e com as estruturas políticas a administração da vida social. Tendo assim um capitalismo avançado, onde o poder está em vários segmentos.
O autor Rodrigues relata que Gramsci em sua percepção nota que o poder político se utiliza da persuasão e do convencimento das pessoas para a conquista do poder ou hegemonia não se prendendo a força e nem se mostrando como temido mais sim como amado pelas pessoas. Gramsci diz que se o convencimento de um povo é a base para a concentração de poder então não basta acabar com a exploração econômica de uma classe pela outra nem com a apropriação privada dos meios de produção de riquezas,mas sim acabar com a apropriação privada e elitista do saber e da cultura.
O autor Alberto Rodrigues mostra então que Gramsci sugere que haja a o fim da divisão entre intelectuais e pessoas simples, pois só os intelectuais ocupam setores da administração do estado, das estruturas sociais e políticas.
O autor mostra que Gramsci afirma que para se eliminar as desigualdades e injustiças precisa-se passar por uma reforma intelectual e moral. Pois são os intelectuais que organizam a cultura e as questões sociais de uma determinada época conforme seus interesses. Assim tanto a classe dominante quanto a classe dominada possuem seus próprios intelectuais onde suas ideias competem entre si na luta pelo poder ou hegemonia constituindo assim cada classe seu bloco.
O autor relata que Gramsci apresenta dois tipos de intelectuais o orgânico e o tradicional. O orgânico é aquele que está ligado a classe que ascende ao poder dando homogeneidade e coerência ao mundo interno que interessa a sociologia da educação. A burguesia e a classe dominante possuem seus próprios intelectuais que se utilizam da hegemonia, persuasão e do convencimento para fazer com que os dominados pensem com a cabeça da classe dominante. E por sua vez a classe dominada tem seus intelectuais que lutam contra a hegemonia.
O outro intelectual é o tradicional que antes era formado pelo clero que estava ligado ao feudalismo, após a decadência desse regime esse tipo de intelectual continua atuando politicamente e de uma forma conservadora e ligado a classe dominante para expandir juntos as ideias de seu bloco no intuito de impor cultura e na luta pela hegemonia.
O autor mostra que Gramsci afirma que todo intelectual passa pela escola. E Gramsci apresenta que há duas escolas, uma elitista que prepara os intelectuais especialistas com uma cultura geral e humanista que futuramente vem a trabalhar nessas escolas e outra escola que prepara o indivíduo para o trabalho manual não dando uma educação intelectual de qualidade.
Rodrigues mostra que Gramsci apresenta sua visão de escola ideal, onde seria uma escola pública comum a todas as classes, unitária com ensino fundamental e médio que prepare para o trabalho manual e intelectual e só depois passaria a uma escola especializada no trabalho produtivo, uma escola que permitisse tanto a classe dominante quanto a dominada formar seus intelectuais para que a luta pela hegemonia não fosse ganha somente pela classe dominante.
O autor apresenta então #Mannheim e a luz no fim do túnel. Para #Mannheim a sociologia deveria servir de embasamento teórico para educadores e educandos compreenderem a situação da educação moderna. Para ele as teorias servem para compreender o que as pessoas pensam sobre a sociedade e não de propor explicações.
#Mannheim defendia uma democracia do bem está social dirigida racionalmente e governada por cientistas.
O autor mostra que #Mannheim considera que o capitalismo mesmo gerando desigualdades possibilita que os jovens de classes inferiores venham ascender a elite, contribuindo para que a cultura #seje formada pelas características de várias camadas sociais, o que é importante para o processo educacional permitindo a intercomunicação entre elas.
Para #Mannheim a sociologia da educação deve servir de base a pedagogia, pois pode explicar as contribuições culturais que cada camada social traz ao processo educacional e que a democracia moderna abre ao homem novos horizontes e o fim da divisão política em blocos que não satisfazem a construção de um homem mais solidário, completo e com visão de projetos educacionais mais qualificados.
A leitura destas ideias de #Gramsci e #Mannheim apresentadas por Rodrigues possibilita ao leitor conhecer a evolução do processo educacional através da sociologia da educação como uma disciplina que ajuda a explicar as mudanças sociais ocorridas na educação, mostrando que a sociologia serve de apoio a pedagogia no estudo dessas transformações. Englobando assim a visão de uma escola nova que tenha qualidade no ensino intelectual sem elitização e sem exclusão das massas sociais e que a democracia possibilita a ascensão das classes inferiores as classes mais elevadas. Trazendo contribuições culturais ao processo educacional de diversas classes sociais.
RESUMO DE SOCIOLOGIA
*AS FORMAS DE CONSCIÊNCIA.
1- A CONSCIÊNCIA ESTÁ LIGADA AS CONDIÇÕES DE VIDA.
Há um intercâmbio econômico entre os homens, mas a consciência que estes tem dessas relações não condiz com as condições materiais reais em que vivem. Isto é as ideias, concepções de como funciona o mundo material são apenas representações que os homens tem a respeito de suas vidas e das experiências de seu cotidiano. Essas representações são na verdade aparências pois segundo marx essa consciência é falsa e investida onde os homens se prendem as aparências e não conseguem captar as relações em que de fato estão submetidos.
2 SURGE A DIVISÃO DE CLASSES.
Se estabelece na história uma divisão do trabalho, quando esta se torna dominante e generalizada dentro da sociedade estabelece então o lugar de cada um dentro do processo produtivo. No capitalismo diz marx existem os proprietários dos meios de produção (as fábricas, as máquinas e a própria força de trabalho do trabalhador). Esses formam a classe de burgueses. Existem aqueles que vendem o único bem que tem (força de trabalho) em troca do pagamento de um salário, tendo a ideia de que isso é normal e que sempre existiu. Quando na verdade esta situação foi provocada pelas classes dominantes para benefícios próprios. E tendo assim controle sobre as classes dominadas (chamadas de proletariado). Surgindo assim a divisão de classes.
3 CONSCIÊNCIA REAL DA DOMINAÇÃO DE QUE SÃO OBJETOS.
Os homens tem em sua consciência que a sociedade capitalista é a única sociedade possível, assim como na época da sociedade feudal, esta também era vista como a única sociedade possível. Segundo Marx as relações de dominação de uma classe sobre a outra não existiu sempre, podendo ser transformada em outros tipos de relações sociais, onde não há necessidade de dominação, porém os homens em seu cotidiano não tem a consciência real da dominação de que são objetos.
4 NO MUNDO FEUDAL O TRABALHO NÃO ERA DIVIDIDO POR CLASSE(ETAPAS).
No feudalismo o sistema de produção era o artesanato, o mestre de ofício(sapateiro) ao fazer um sapato, por exemplo ele curtia, cortava o couro, tingia, costurava, fazia as formas de madeira, vendia o produto em seu próprio estabelecimento. A produção era reduzida, pois ele fazia todas as etapas de produção sozinho.
5 A INFLUÊNCIA DA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL SOBRE O HOMEM.
Com a revolução industrial o homem deixa de fazer todas as etapas de produção, pois os capitalistas observam que o homem, ao fazer uma parte da produção repetidas vezes, estaria produzindo com mais rapidez, do que ao fazer todas as etapas sozinho, então cada homem ficava responsável por uma etapa da produção.
O homem foi também desapropriado do saber da vida material e dos meios de produção da fabricação de um produto.
O homem passou a trabalhar no ritmo das máquinas. E passou vender sua força de trabalho pelo pagamento de um salário. Deixando de serem autossuficientes para serem dependentes.
6 ATROFIAÇÃO DO MEIO DE PRODUÇÃO DO TRABALHO(ALIENAÇÃO/IDEOLOGIA).
Com a redução da capacidade de produção para realização de simples tarefas, o homem não conseguiria mais produzir por conta própria.
O homem passa então em seu cotidiano, a concepção de que o salário é viver, que as fábricas tem os seus donos, e a eles resta trabalhar nelas. O homem vê seu trabalho como algo que não lhe pertence, algo fora de si. Marx então chama este fato de alienação.
O homem tem a consciência de que a dominação de uma classe sobre a outra e que o trabalho alienado é algo natural, tendo a concepção de viver aparências e não vê as condições reais em que está vivendo, Marx chama esta concepção de ideologia.
Ideologia é também o conjunto ordenado de regras, normas, ideias, concepções feitas juridicamente para que as pessoas sigam como se fosse a sua própria vontade. Geralmente é a ideologia da classe dominante sobre a classe dominada.
*EDUCAR NO MUNDO INDUSTRIAL.
1 EDUCAÇÃO INDUSTRIAL COMO UTOPIA.
Para Marx e Engels a educação seria um arma poderosa em favor da libertação do homem, em relação a exploração do capitalismo. Para eles não existe educação em geral, pois esta pode ser tanto para alienação, como para emancipação do homem.
2 condições de vida dos trabalhadores.
Com a lei anterior a de 1844 era visível a contratação de crianças, onde se exigia um atestado, que provasse a frequência destas à escola. Porém qualquer pessoa que tivesse uma casa, poderia fornecer o atestado para as fábricas. E as fábricas ficavam livres da fiscalização.
Mas a realidade dessas crianças era diferente, pois as salas eram minúsculas, a educação era precária, ficavam um grande número de meninos amultuados. Esta educação era apenas de aparências em favorecimento das fábricas.
Tanto as crianças, quanto os seus pais operários eram oprimidos e explorados pelas forças capitalistas.
3 A VISÃO DE MARX SOBRE A APRENDIZAGEM ESCOLAR DAS CRIANÇAS.
Com a legislação de 1844, só poderiam ser contratadas crianças que tivessem pelo menos a instrução primária, que soubesse as letras e números. Marx comemorou, pois considerou um avanço, pois combinava estudo e trabalho. Que para ele os dois juntos contribuía para formação completa do indivíduo.
Segundo Marx toda criança deveria ter em sua formação pessoal uma educação formal escolar e uma educação manual nas fábricas.
Para Marx a escola de período integral é pouco produtiva, pois se torna infadônio, por não está combinado com o trabalho manual. As crianças tem baixo rendimento e os professores passam a ter um trabalho mais duro.
Para Marx as crianças com escola de meio período e trabalho no outro período aprendem tanto ou mais do que as de tempo integral. Pois para ele uma atividade serve como descanso para a outra.
4 TRABALHO INFANTIL E LEGISLAÇÃO.
O trabalho infantil é louvável, desde que a legislação fiscalize para evitar a exploração das crianças nas fábricas.
Para Marx o ideal seria que crianças e jovens estudassem por meio período, e trabalhassem no outro período, pois assim estariam tendo a formação intelectual e a formação produtiva obtida através do trabalho com as mãos.
Em 1866, Marx escreveu aos delegados do conselho geral da internacional comunista, para que lutassem em favor do trabalho diferenciado por faixa etária, onde crianças e jovens de 9 a 12 anos trabalhariam 2 horas por dia, de 13 a15 trabalhariam 4 horas e as de 16 a17 trabalhariam 6 horas por dia. E que a legislação fiscalizasse para não haver super exploração.
5- A ALIENAÇÃO DO TRABALHO.
Para Marx a educação era fundamental, para se romper com a alienação do trabalho. Pois os filhos dos operários deixariam de ser trabalhadores passivos, que faziam um trabalho simplificado, conforme a ideologia capitalista, que desapropriou o saber que tinham as classes produtivas antes da existência da divisão do trabalho. Assim os filhos dos operários teriam a concepção do conjunto do processo de produção moderna, podendo então serem ensinados a operar as fábricas burguesas, o que contribuiria para emancipação deles como homens.
6- CONTEÚDO EDUCACIONAL.
Para Marx estes conteúdos deveriam contemplar três dimensões, a educação mental, física e tecnológica. Sendo que a educação mental seria a elementar voltada para o intelectual. A educação física seria aquela feita nos ginásios esportivos e com treinamento militar. E a tecnológica seria a iniciação de crianças e jovens no manejo de instrumentos e máquinas de vários setores da indústria.
7- TRABALHO INFANTIL NA INDÚSTRIA.
Para Marx a educação tecnológica combinada com o trabalho das crianças de 9 a 17 anos na indústria, contribuiria para que elas tivessem uma formação que superasse o nível da dos filhos dos burgueses e aristocratas. Pois os filhos dos burgueses e aristocratas só se tornariam homens completos, se rompessem com a separação do trabalho intelectual do trabalho manual.
8-EDUCAÇÃO E TRABALHO PARA CRIANÇAS.
Era importante substituir o homem parcial, que fazia meras repetições fragmentadas por um homem integralmente desenvolvido capaz de realizar diferentes formas de atividades sociais e sucessivas formas de produção como um todo.
Assim as escolas politécnicas e agronômicas eram aliadas nesse processo de transformação, e também as escolas profissionais que davam algum ensino tecnológico aos filhos dos operários.
Na utopia de Marx nas escolas dos trabalhadores, ou seja, só haveriam trabalhadores, e não mais burgueses, a escola seria pública, e igual para todos, era o seu projeto para o futuro.
9- A ALIENAÇÃO DO TRABALHO E A EDUCAÇÃO DA SOCIEDADE.
Para Marx e Engels não bastava o comunismo se aproveitar do desenvolvimento material conquistado pelo capitalismo , mas era necessário educar o novo homem comunista com capacidade de superar a divisão do trabalho que o alienava ao capitalismo. Não seria suficiente a revolução que daria controle do estado aos operários , para socializar os meios de produção a nova organização industrial precisava encontrar um homem preparado para desenvolver um trabalho que não fosse alienado.
Para Engels a nova educação deveria dá aos jovens a possibilidade de assimilar rapidamente na prática todo o sistema de produção, o que os possibilitariam passar de um setor de produção a outro, conforme as necessidades da sociedade ou de suas inclinações. Dando a estes jovens a possibilidade de empregar em todos os aspectos as suas faculdades desenvolvidas universalmente. Assim a educação teria um caráter libertário e de emancipação do homem.
10- EXPLORAÇÃO DO TRABALHO.
Para Marx e Engels a exploração econômica deveria ser mudada. Pois as famílias burguesas apoiavam-se no capital, no lucro privado e sua posição virtuosa se dava na exploração das famílias proletárias.
Era visível a exploração dos operários pelos patrões, a proposta política de Marx e Engels era de suprimir essa exploração e de substituir a educação doméstica pela educação de caráter social.
ATUALMENTE.
Com advento da informática e da robótica, surgiu o trabalhador polivalente, onde os capitalistas podem contratar apenas algumas dezenas de empregados, diferente do que acontecia antes que era necessário contratar milhares de empregados para realizar as produções.
Hoje o homem é educado, mas não emancipado, pois a divisão que separa as classes continua a aumentar.
RESENHA
RAMOS, Rossana. Na minha escola todo mundo é igual. 2. ed. São Paulo: Cortez, 2005. Rossana Ramos nasceu no Paraná, é doutoranda pela PUC/SP na área de língua portuguesa, professora universitária e diretora da escola Viva de Cotia, é escritora e professora de desenho. Com base na teoria construtivista implantou em sua escola um projeto que visa á formação de crianças e adolescentes capazes de construir conhecimento, independentemente do rótulo que tenham, ou seja, respeitando as mais variadas formas e tempos de aprendizagem. Resenhada por Joanna Katiuscia Gomes.
O livro de Rossana Ramos é resultado poético de uma experiência vivida numa escola em que realmente todo mundo é igual, apesar das diferenças. É o anúncio de uma nova concepção: a educação inclusiva. O livro contém também várias ilustrações que representam crianças de diversas etnias, culturas, com diferentes deficiências, mas que estão sempre desenvolvendo atividades variadas uns com os outros. O livro apresenta também alguns versos que expressam estas situações.
A autora apresenta através dos versos que cada um tem o seu jeito e isso não faz diferença o importante é viver. Tem uns que não tem braço, mas não os impedem de participar dos jogos. Tem aqueles que não escutam, mas são capazes de dançar. Existem os que não falam, mas expressam através dos gestos as suas vontades e fazem sucesso com as garotas. Há aqueles que não andam e usam cadeira de rodas, mas assim mesmo conseguem jogar e dançar e andam sempre na moda.
Rossana Ramos mostra também que há uma com síndrome de down que mesmo com dificuldades é prestativa e sempre ajuda os outros. Existe o autista, que mesmo em seu mundo ainda divide o lanche com os colegas. Tem uma que não enxerga, mas conhece todos pelo perfume.
A autora relata que existem crianças gordas, magras, altas, baixas, ricas e pobres, mas que todos são importantes como prata, ouro e cobre. Tem gente que aprende depressa e outros demoram um pouco, mas não tem diferença, pois um ajuda o outro. Tem professor bem velhinho, mas que não se aborrece, pois o tempo lhe ensinou que o que é bom não se esquece.
Rossana Ramos apresenta que tem branco, negro, japonês, estrangeiro e de vários outros estados e regiões, mas não faz diferença, pois o que importa não é o que vem de nascença. Tem aquele que gosta do outro igual, mas não tem diferença, o importante é ser legal. Apresenta também que nessa escola não tem perfeição, mas tem carinho e atenção, e que é importante entender direito e deixar o tal do preconceito.
Enfim uma escola inclusiva não ver diferenças e nem tem preconceitos com seus alunos, mas respeita e trabalha em função do desenvolvimento das potencialidades de cada aluno, dando-lhes carinho e atenção, isso não é sinônimo de perfeição, mas é igual à verdadeira inclusão.
RESENHA
LIBÂNEO, José Carlos. Didática e democratização do ensino in Didática. SP: Cortez, 1994. p. 33-48.
JOANNA KATIUSCIA GOMES*
O autor José Carlos Libâneo é doutor em filosofia e história da educação, lecionou disciplinas pedagógicas em várias instituições superiores de ensino, colaborou em diversos projetos, fundou e dirigiu u centro de treinamento e formação de professores em Goiana (Goiás). O professor Libâneo escreveu 6 livros.
O autor Libâneo (1994) no capítulo 2: Didática e democratização do ensino de seu livro Didática expressa uma linguagem informativa, simples e compreensiva em sua abordagem. Libâneo então divide o capítulo em 4 temas.
O autor apresenta que o objetivo mais imediato da escola pública é preparar crianças e jovens para a participação ativa na vida social. Esse objetivo é alcançado através da instrução e do ensino.
O autor mostra que é necessário uma reflexão de conjunto para a compreensão correta dos problemas existentes na escola pública. Havendo então causas internas e externas para essa problemática, sendo importante avaliar nesse contexto as possibilidades do trabalho docente na escolarização efetiva de crianças e jovens.
Libâneo (1994) relata no primeiro tema sobre a escolarização e as lutas democráticas mostrando que é dever do poder público proporcionar as crianças e jovens o acesso e a permanência gratuita na escola básica, possibilitando-os uma formação cultural e científica de forma sólida e duradora. Mostra também que a escolarização é um dos requisitos fundamentais na democratização da sociedade, pois possibilita através da socialização de conhecimentos sistematizados, que os alunos compreendam os fenômenos naturais e sociais para poderem participar futuramente de maneira crítica em lutas democráticas e questões políticas e governamentais.
O autor trata consequentemente que a escola pública não tem cumprido com suas finalidades, pois há carência na manutenção da mesma por parte do poder público, havendo falta de recursos financeiros que são insuficientes e mal empregados, faltam recursos materiais e didáticos, os professores são mal remunerados e o sistema escolar é usado para fins políticos, eleitoreiros e partidários. Segundo o autor mesmo com o número elevado de matrículas ainda há muitas crianças e jovens fora da escola.
Libâneo (1994) no segundo tema trata do fracasso escolar que precisa ser derrotado, pois é um dos mais graves problemas do sistema escolar brasileiro e atingem principalmente as crianças mais pobres, caracterizando-se pelo grande número de reprovações nas séries iniciais do ensino de 1º grau que comprometem o prosseguimento dos estudos.
O autor apresenta que para derrotar e enfrentar o fracasso escolar e ter uma escola pública democrática é preciso rever a concepção de qualidade de ensino que deve ser inseparável das características econômicas, socioculturais e psicológicas da clientela atendida.
Já no terceiro tema o autor discorre a respeito das tarefas da escola pública democrática, que deve garantir a democratização do ensino que se sustenta nos princípios da diversidade e da igualdade, onde todos tenham direito ao acesso e permanência na escola. O ensino deve-se adequar as condições sociais de origem, as características sociais e culturais individuais dos alunos.
Segundo o autor no quarto tema referente ao compromisso social e ético dos professores, discorre que o exercício profissional do professor é o seu primeiro compromisso para com a sociedade. O trabalho docente então tem a responsabilidade de preparar os alunos para se tornarem cidadãos participantes e ativos no trabalho, na família, nas associações de classe, na vida cultural e política, sendo um papel social que contribui para outras conquistas democráticas. O professor faz a mediação entre o aluno e a sociedade, faz a organização do ensino, planeja, desenvolve aulas e avalia o ensino e a aprendizagem dos alunos.
Segundo o autor “estas considerações justificam a necessidade de uma sólida preparação profissional perante as exigências colocadas pelo trabalho docente. Esta é a tarefa básica do curso de habilitação ao magistério e em particular da didática”.
O presente capítulo tem relevância, pois faz uma interligação entre os fatores que contribui para o verdadeiro exercício de um ensino democrático, apresentando também os fatores internos e externos da problemática que impedem o sucesso desse exercício. Assim é necessário que todos os setores educacionais cumpram com seu papel social.
RESENHA
VÁZQUEZ, Adolfo Sanchez. O objeto da ética in Ética
JOANNA KATIUSCIA GOMES
O autor Adolfo Sánchez Vázquez, professor da universidade do México, 'coordenou os temas de ética de maneira didática, fugindo do dogmatismo, do tradicionalismo dos manuais universitários, das posições neutras, elaborando uma nova ética, mas mostrando também sua fascinante problemática.
O autor Vázquez relata no capítulo 1 de seu livro Ética, sobre o objeto da ética mostrando que as relações presentes no cotidiano dos homens e como estes indivíduos se estabelecem entre si.
Segundo o autor estas relações cotidianas podem se apresentar como problemas práticos, isto é, problemas efetivos, reais, entre indivíduos ou do julgamento de certas decisões (ações dos mesmos), cuja solução não se prendem a uma só pessoa que as propõem, mas a outra ou a outras pessoas que sofrerão as consequências da sua decisão e de sua ação. Sendo assim os indivíduos procuram ter um comportamento com pauta nas normas, que são mais apropriadas e dignas de serem cumpridas que são aceitas intimamente e vistas como obrigatórias, através destas o indivíduo compreende como fazer para agir desta ou daquela forma. Neste caso se diz que o indivíduo é um sujeito moral, pois passa a ter um comportamento firmado em normas dignas, que o diferenciam das outras formas de condutas humanas.
O autor mostra que os outros julgam também conforme as normas estabelecidas fazendo juízos, desse modo tem-se de um lado os atos e comportamentos humanos em torno dos problemas que são chamados morais e do outro lado tem-se os juízos que aprovam e desaprovam moralmente esses atos e comportamentos.
Vázquez relata que o comportamento prático moral dos homens esta presente desde os primórdios de uma época ou sociedade, surgindo assim a reflexão sobre esse comportamento. O homem toma decisões, mas também as avalia e as julga e reflete sobre o seu comportamento e tem como objeto de sua reflexão suas atitudes, assim passa para a teoria moral ou problemas éticos.
O autor Vázquez descreve que problemas teóricos no campo moral se diferenciam dos problemas práticos, mas não se separam, pois as soluções dadas pelos teóricos influenciam os práticos, porém as soluções tomadas na prática servem como objeto de reflexão para a teoria onde esta deve sempre retornar para mostrar o real vivido pelo homem.
O autor discorre que por muito tempo a ética devido ao seu caráter prático, era vista como uma disciplina normativa, legisladora do comportamento do homem, em termos do que seja bom ou ruim para o indivíduo fazer ou não fazer. Mas o campo da ética é realmente teórico, procurando explicar, esclarecer, investigar as formas de comportamento humano, suas experiências e da moral em sua totalidade com diversidades e variedades. Assim a ética não se resume a uma normativa pragmática.
O autor apresenta que a ética não é a moral, nem tão pouco tem o papel de criá-la. Pois a ética se depara com a experiência histórico-social no terreno moral, isto é, com uma série de práticas morais, que já se encontram em vigor e, partindo delas determina a essência e a origem da moral, suas condições objetivas e subjetivas, a fonte e a natureza de a avaliação da função dos juízos, dos critérios de justificativas e das mudanças dos sistemas morais.
Vázquez frisa que a ética se define como a teoria ou ciência do comportamento moral dos homens em sociedade, tendo como objeto de estudo setores da realidade humana ou propriamente a moral.
Segundo relatos do autor a ética como ciência se apropria de dados impiricos a partir dos princípios dos atos ou realidades humanas, porém não fica só na descrição destes, mas como conhecimento científico traça linhas de estudos sobre os atos morais, que são metódicos, sistemáticos e objetivos e que podem ser comprovados, apresentando-se as teorias que se relacionam com os mesmos.
O autor afirma que a ética por muito tempo esteve ligada a uma filosofia especulativa, onde esta filosofia não levava em consideração a ciência e nem a vida real. Porém atualmente a ética como ciência moderna se relaciona com uma filosofia científica que lhe apresenta proveitosas conclusões. Assim a ética estuda fenômenos ligados ao homem como ser social e que compõe o mundo moral. A ética não tem uma autonomia absoluta em relação a filosofia, pois é visível as contribuições do pensamento filosófico desde a filosofia grega(Sócrates) em torno das questões morais.
O autor Vázquez apresenta que a ética está ligada também as outras ciências, que estudam por diversos ângulos o comportamento humano em sociedade, como a psicologia sociologia, antropologia social, história e até mesmo da economia política. Sendo assim a ética se relaciona estreitamente com as ciências do homem ou ciências sociais, onde o comportamento moral é uma forma específica de comportamento humano, que se manifesta em diversos planos psicológico, social, prático-utilitário, jurídico, religioso, ou estético.
O autor Adolfo Sánchez Vázquez mostra claramente que a ética não é a moral, porém a ética como uma teoria ou ciência tem por objeto de estudo a própria moral.
Neste capítulo podemos observar que o autor relata que o homem ao refletir, avaliar ,julgar suas atitudes está se utilizando dessa ética como reflexão da sua conduta moral, o que muito se assemelha aos conceitos de Max Weber, que vê a moral como algo que se pode questionar ou julgar, em torno do que é bom ou ruim para se fazer ou não fazer. Ao contrário de Durkheim que vê o não questionamento da moral, o que caracteriza uma forma de coagir o indivíduo no grupo. Assim o estudo do presente capítulo o objeto da ética é uma forma de explicar as relações entre a moral e a própria ética e que a leitura deste livro por toda humanidade contribui para que os indivíduos se tornem mais reflexivos em torno dos seus atos morais, compreendendo uns aos outros de maneira humanitária.
RESENHA
Bourdieus e os sistemas reprodutores. Segundo o sociólogo francês Pierre Bourdieu, os membros de uma sociedade apenas reproduzem o que a classe dominante impõe sobre eles. Certamente podemos comprovar essa situação diariamente, pois os meios de comunicação através de suas propagandas mostram um ideal a ser seguido. E os que não conseguem se enquadrar nesse modelo assumem uma postura de excluídos da sociedade. Então notamos que mesmo de uma forma sutil os meios de comunicação são o veículo condutor da classe dominante sobre a classe dominada.E essa classe dominada se comporta como marionetes mesmo sem tomar consciência dessa realidade, ou seja, a uma ilusão em torno dos indivíduos que acham que são livres e na verdade são realmente atrelados ao sistema social presente.
Observamos essa realidade quando os indivíduos assimilam algo que está sendo muito divulgado e não fazem reflexões sobre a situação pode-se dizer que apenas estão reproduzindo algo que lhes foi imposto.
Bourdieu então sugere que uma escola igualitária permitiria que os indivíduos desenvolvessem suas potencialidades. Com certeza uma escola comum a todas as classes sem nenhuma diferenciação possibilitaria que os indivíduos se tornassem reflexivos, intelectuais ao ponto de assumirem papeis importantes em vários setores.Compondo assim uma economia melhor, onde todos poderiam ter uma vida mais completa em termos de bem estar social.
Bourdieu enfatiza também que na escola atual existe um tipo de violência simbólica e uma arbitrariedade, onde só se impõe uma ideologia modelo que deve ser seguida, principalmente em relação a cultura. Notamos que há uma espécie de aculturação, onde a cultura das classes dominantes é passada sutilmente através da escola, dos educadores com a ação pedagógica e da própria pedagogia, que apenas passam e repassam o que o sistema determina. E a classe dominada apenas reproduz uma cultura que não lhe pertence sem ter condições de refletir sobre as consequências, pois no sistema educacional atual não possibilita um incentivo da busca das reflexões, questionamentos, conhecimentos críticos.
Observamos que é bem visível que há uma escola que produz indivíduos cópias que fazem parte da classe dominada, que mesmo terminando o processo educacional do básico até o superior adquirem os hábitos que a vida toda lhes foi repassado, isso reflete no cargo profissional que vão assumir, pois há cargos profissionais preparados pela classe dominante que só os membros de uma classe dominada pode assumir. Por outro lado há uma escola que prepara indivíduos pensantes, intelectuais, críticos, reflexivos, que fazem parte da classe dominante que assumirão no futuro os melhores cargos, tendo nas mãos o poder econômico, social, cultural e político. Bourdieu mostra que mesmo em meio as lutas da classe dominada com manifestações o sistema não vai mudar e sim ficar mais forte, pois essas manifestações apenas fortalecem o sistema, pois servem de aprendizado para reformulação de um sistema cada vez mais severo e excludente.
Contudo podemos notar que o sistema realmente pode não mudar, porém temos a possibilidade de ter a consciência de que a educação de qualidade e de forma igualitária ´´´´´´´´´´e a base da mudança e que a educação é uma arma poderosa para a transformação da sociedade em uma sociedade mais emancipada, mas que essa arma está nas mãos erradas, mãos de uma minoria dominante que exclui a maioria porque na verdade tem receio de perder sua posição de destaque social.
MINHA HISTÓRIA DE LEITURA
Minha História de Leitura
Quando aprendi a ler com cinco anos lembro que em todos os lugares que passava, sempre estava lendo o que estava escrito nas paredes, nos cartazes, na frente das lojas era uma empolgação bem grande, como se estivesse sempre a descobrir algo novo que antes de saber ler não prestava atenção.
Logo depois minha mãe passou a comprar vários livros, os quais eu lia com entusiasmo e assim adquiri a gosto e o prazer de ler devido a esse incentivo.
Sendo assim com o passar dos anos a quantidade de livros foi aumentando, haviam também leituras mais complexas o que fez com que eu evoluí-se como leitora e até hoje os livros fazem parte das minhas descobertas. Já na universidade aprendi que há várias maneiras de fazer a leitura em relação ao objeto de estudo o que me proporciona sempre a aprender mais sobre o universo da leitura.
Posso citar um livro que me chamou a atenção que é o Pedagogia da Autonomia de Paulo Freire, onde aprendi que a conquista dessa autonomia é importante em todos os sentidos até mesmo na hora da leitura.
Gestão democrática e participativa na escola: um caminho possível.
A democracia vigente associada ao aperfeiçoamento, a qualidade e eficiência do ensino tem contribuído para a necessidade, possibilidade e enfrentamento de desafios para as mudanças na forma de gerir escolas no Brasil.
Entre essas mudanças podemos destacar a gestão democrática e participativa, que visa a necessidade da participação de toda comunidade escolar, isto é, o envolvimento de gestores, especialistas, funcionários, professores, pais e alunos em busca da qualidade do ensino.
Segundo Luck (2005) o esforço para a conquista dessas mudanças promove o afastamento das tradições clientelistas e corporativas, que visam atender interesses pessoais e de grupos, o que prejudica o aprimoramento e qualidade do ensino.
Esse movimento de descentralização e democratização da gestão escolar tem ênfase nas reformas educacionais e no princípio das leis. E consequentemente tem três vertentes básicas que possibilitam a concretização dessas mudanças, que são: a participação da comunidade escolar na seleção dos gestores da escola , que caracteriza o exercício da democracia; criação de um colegiado, conselho escolar que tenha tanto autoridade deliberativa como poder de decisão; repasse de recursos financeiros às escolas, e consequentemente aumento de sua autonomia.
Luck (2005) complementa que essas reformas estruturais para a democratização da gestão escolar devem está lado a lado com a elaboração de um projeto político pedagógico comprometido com a promoção de uma educação que atenda as necessidades reais de uma sociedade moderna e igualitária.
Assim o movimento para uma gestão democrática e participativa na escola busca a eficácia do ensino, possibilitando que o aluno conheça a si mesmo, ao mundo e obtenha instrumentos e meios para enfrentar os desafios de sua vida.
A gestão escolar democrática e participativa consiste na redistribuição e compartilhamento de responsabilidades junto a comunidade escolar para a legitimidade do sistema e comprimento dos objetivos educacionais de uma forma efetiva. Porém essa descentralização e participação nos sistemas escolares não está clara para o rompimento de estruturas inadequadas, pois as ações por si não garantem melhores resultados.
A gestão democrática e participativa no contexto escolar deve ser entendida como o envolvimento da comunidade escolar na efetivação de objetivos, solução de problemas, tomada de decisões, na efetivação e manutenção de padrões de desempenho da unidade escolar e garantindo que os serviços dessa unidade atendam adequadamente as necessidades das pessoas a quem se destina.
O processo de democratização e participação na gestão escolar enfrenta desafios na contemporaneidade, pois a tendência centralizadora e burocrática ainda é comum na cultura organizacional, em que a tomada de decisões está nas mãos do gestor ou diretor. E este trabalha sozinho e sem apoio.
Os pais, por exemplo, são solicitados apenas nas questões materiais e físicas da escola, e os professores ficam limitados a sua atividade de sala de aula e se tornando isolados e sentindo-se como participantes de outro grupo distinto.
A resistência dos professores é outro desafio a ser enfrentado, pois eles reclamam em alguns casos de não terem espaço para atuar na formulação do currículo escolar. Mas observamos que quando lhes é dado espaço de atuação eles se omitem.
Quando isso acontece de acordo com Luck (2005) é devido ao entendimento de participação não está claro até mesmo para o próprio diretor ou gestor.
Para efetivar uma participação da comunidade escolar o gestor precisa criar um ambiente escolar propício, que atraia o interesse e o envolvimento de todos. Havendo também por parte do gestor uma ampliação de sua consciência e competência técnica para promover ação e reflexão em torno da importância da contribuição de pais, alunos, professores, funcionários, que através de sua participação exercem consciência social e crítica e sentido pleno de cidadania.
Assim a gestão democrática e participativa é possível no ambiente escolar, mas é necessário a orientação, a compreensão, o entendimento, a conscientização da comunidade escolar e local, que o seu envolvimento contribui para melhorias no processo pedagógico e na aprendizagem, desempenho e formação dos alunos.
RESUMO
PRECONCEITO CONTRA ANALFABETO
No Brasil a palavra analfabeto é bem contemporânea e caracteriza o sujeito por aquilo que ele não tem ou não possui lhe atribuindo qualidades negativas.
O analfabeto é aquele que não sabe ler e nem escrever, não é capaz, não é preparado, não é humanizado, não é informado, não tem conhecimentos se tornando pessoas dependentes, alienadas, sofredoras, coitadas, perdidas. O analfabetismo em si está associado ao adulto como sujeito em particular e não a criança.
Na sociedade brasileira o analfabetismo está relacionado a segregação, a exclusão social, a pobreza, a fome, a classe dominada, a ausência de direitos. Essa condição de não saber ler e escrever também está relacionada ao preconceito, descriminação, prejulgamento e estigma por parte das pessoas de um modo geral com o analfa beto.
Em relação ao letramento há também um grupo de analfabetos funcionais, que sabe ler e escrever, mas não sabe se expressar, refletir, argumentar. E muitos dos jovens e adultos que saem da 8ª série estão nesta condição. Há pesquisas no Brasil que mostram que até parlamentares estão nesta condição de analfabetos funcionais não tendo condição de exercer esse cargo, pois não possuem condição de comunicação, bagagem cultural.
Segundo Pierro (2007) diversos tipos de preconceitos são vivenciados pelos analfabetos e suas causas não se resumem a um processo de exclusão social ou a violação dos direitos coletivos, mas se configuram a uma experiência individual de fracasso ou desvio, que provocam repetidas situações de humilhação e descriminação vividas com grande sofrimento acompanhado de sentimentos de vergonha e culpa
Em muitos relatos de pessoas analfabetas podemos observar situações que envolvem castigos como de alguém que passou pela escola e encontrou apenas palmatória ou régua na mão, joelhos no caroço de milho e zombarias dos colegas. Outros já idosos passaram por constrangimentos por não saberem assinar o próprio nome. Há relatos também daqueles que entravam no banheiro errado passando vergonha por não saberem ler. E outros analfabetos ou de pouca escolaridade que migraram da zona rural para cidade e se depararam com os estigmas que as classes dominantes lhes impõem por não atenderem suas expectativas normativas, pois os analfabetos acumulavam as condições de roceiros pobres, negros, nordestinos, iletrados, detentores de uma variação linguística não prestigiada pela língua portuguesa.
Os textos jornalísticos do ano de 2005 expressavam preconceitos ao narrarem resultados de projetos para um Brasil Alfabetizado, comparando o analfabetismo a uma cegueira em que os alunos ali alfabetizados estavam saindo de um mundo escuro, obscuro por anteriormente não saberem ler e escrever e podendo assim contemplar novos horizontes.
O analfabetismo era abordado ali por um médico higienista como sendo uma praga, doença cujo remédio para erradicação deveria ser a alfabetização. Outra metáfora bélica via o analfabetismo como inimigo do desenvolvimento pessoal e social que deveria ser enfrentado em meio a combate, luta, guerra da alfabetização. Outra imagem associava o analfabetismo ao contexto histórico e religioso das cruzadas em que o educador tinha a missão e sacerdócio de difundir os benefícios da alfabetização. E a educação era apontada como a solução fundamental para a resolução dos problemas sociais.
Contudo em meio a esse contexto de preconceitos e rotulações ao analfabeto, podemos associar a essa condição a própria construção social vivida pelos povos que não ocorreu de forma igualitária, pois nem todos viveram a mesma difusão e distribuição da alfabetização, como aqueles pertencentes a famílias pobres e numerosas que necessitavam trabalhar e consequentemente tendo que valorizar mais o trabalho do que os conteúdos da escola. As mulheres que em vez de serem alfabetizadas tinham que ser direcionadas a aprendizagem doméstica.
O grande impasse se coloca como discussão a educação resolve todos os problemas sociais ou os problemas sociais já resolvidos proporcionam condição para uma boa educação.
Nesses termos se não tivéssemos que enfrentar tantos problemas sociais, como fome, desemprego, pobreza, preconceitos e outros seria mais viável as pessoas atingirem o objetivo de se educarem e se alfabetizarem sem barreiras e impedimentos, que só contribuem para aumentar o índice de analfabetismo no Brasil.
PRÁTICAS PEDAGÓGICAS
O trabalho realizado pelo professor hoje é caracterizado por suas práticas pedagógicas, onde é importante apontar que essa prática está diretamente envolvida com as concepções e com as ações de mediação, com a capacidade de ensinar, com os desafios contemporâneos, com o próprio ensino e seus elementos, a didática em si, o aluno, o conhecimento, o professor como componentes fundamentais nessa prática além da própria profissionalidade na construção do ensino.
O trabalho do professor em meio aos desafios contemporâneos colocados pela escola atual visa um profissional consciente, que perceba que a educação está inserida nesse contexto de mudanças presentes na competitividade, velocidade tecnológica e, portanto as mudanças na educação precisam ser priorizadas, não simplesmente para atender a contemporaneidade, mas como um processo que seja capaz de preparar e colaborar com a formação de homens que respondam com firmeza a exploração, e possam idealizar e viabilizar mudanças reais e positivas. Sendo assim a educação é um fenômeno social e como tal está presente nas relações.
O professor constitui uma profissão complexa, pois o ensino é uma atividade imprevisível, realizada com seres humanos cujas reações não podem ser cientificamente controladas, nem mesmo pressupostas.
Durante muito tempo o ensino foi apenas transmitido, mas atualmente uma nova concepção de ensino visa um professor como mediador do conhecimento, onde o aluno constrói o seu próprio conhecimento, porém o professor é um facilitador que direciona as atividades, possibilita a busca de conhecimento, cria situações para debates dos assuntos, onde o aluno é participante.
Na reflexão sobre o ensino é interessante ressaltar que os elementos envolvidos nessa prática são fundamentais o aluno, o conhecimento, o professor, as situações didáticas.
O aluno tradicionalmente era visto como uma figura secundária, que só recebia conhecimento, hoje com a compreensão de mediação o aluno é atuante, participa e troca conhecimento, e constrói o próprio conhecimento, tornando-se sujeito do conhecimento. Já o conhecimento escolar também conhecido como conteúdo de ensino é prioridade na escola, sendo a ferramenta de trabalho escolar, esse conhecimento social e histórico dá suporte para o aluno exercer cidadania. O entendimento de que não há ensino, ação e intervenção social sem domínio de conhecimento, não quer dizer que o conhecimento escolar é o único, pois o aluno detém conhecimentos frutos de suas experiências e informações que também lhe auxiliam no dia a dia. As situações didáticas são os momentos em que o professor se coloca a buscar métodos, atividades adequadas às realidades dos alunos visando a interação dos mesmos, como sujeitos do conhecimento, participantes no processo de aprendizagem e que estão sempre a dialogar com o professor. Já o quarto elemento desse processo de aprendizagem é o professor, que tem a função de decisão sobre os conteúdos que serão estudados e como serão estudados, qual será o papel de vivência do aluno, como será o aproveitamento do tempo e do espaço escolar. O professor como mediador do processo de aprendizagem busca adequar o ensino as características individuais dos alunos e busca orientar atividades de interação e de mediação dos conteúdos negociando os significados. O professor planeja, avalia para consolidar uma boa aprendizagem.
A profissionalidade na construção do ensino visa um profissional que em meio a complexidade da função de ensinar esteja a buscar conhecimento, qualificação, habilidades, comportamento, práticas educativas. A profissionalidade será concretizada na medida em que o ensino for sendo desenvolvido pelo professor. O professor necessita de uma profissionalização específica e continuada para alcançar autonomia, competência para acompanhar as situações que se colocam no contexto atual.
Enfim o trabalho do professor é espelho de suas práticas pedagógicas, portanto o profissional que leva em consideração todos os elementos presentes no âmbito de sua função docente desenvolve práticas concretas para a construção de um ensino com autonomia e exercício da cidadania para professores e alunos.
Repercussões de currículo como fonte de construção social e interesses condicionantes
O currículo inicialmente em sua definição compreende um conjunto de disciplinas firmadas em um conteúdo a ser ensinado. Mas se mostra também como um conjunto de experiências ligadas ao processo educativo. Com base nesse processo educativo ligado as experiências o currículo não se mostra com um conceito previamente fechado ou acabado, ou seja, está sempre aberto a discursões.
Desde a sua implantação currículos e programas como uma disciplina estudada nas universidades brasileiras já se mostrava como um foco de discussões, pois seguia modelos americanos, que eram de autores europeus. As primeiras discussões em torno de currículo eram se essa disciplina atendia a realidade social do Brasil, pois havia muitas diferenças entre os países envolvidos.
Assim, essa disciplina foi se ampliando nos cursos de pedagogia de graduação e de pós graduação. Havendo, então, logo depois, a participação de duas instituições criadas para o estudo e pesquisa sobre questões ligadas as reformas educacionais e de currículo, que foram o INEP e o PABAEE.
Com vários estudos relacionados ao currículo, nota-se que as teorias presentes nas discussões da temática em estudo são a técnica, a prática e a crítica. A teoria técnica resulta das questões educacionais, a teoria prática resulta da ação em si, isto é o como fazer e já a teoria crítica resulta na reflexão feita sobre a ação.
Com a teoria crítica observa-se a formação de um currículo como fonte de construção social, pois a reflexão é feita com base na realidade do aluno. Analisa-se se o tipo de currículo adotado atende as necessidades da realidade cotidiana dos envolvidos. Assim a reflexão feita sobre a ação busca uma transformação da sociedade, pois o aluno é preparado como um sujeito que sabe compreender a sua realidade para poder ser crítico e reflexivo para buscar uma autonomia, que venha transformar a o ambiente e a sociedade em que ele vive.
Observa-se que o currículo adotado pelas escolas segue os interesses políticos, que na maioria das vezes não leva em conta as necessidades reais e culturais da sociedade. Porém a teoria crítica propõe um currículo que trabalhe a reflexão sobre a ação pedagógica, como forma de criar sujeitos conscientes, que conquistem sua emancipação para vencer a ideologia das classes dominantes tão presentes em nossas escolas e nos currículos adotados.
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