segunda-feira, 21 de outubro de 2019

RESUMO

PRECONCEITO CONTRA ANALFABETO No Brasil a palavra analfabeto é bem contemporânea e caracteriza o sujeito por aquilo que ele não tem ou não possui lhe atribuindo qualidades negativas. O analfabeto é aquele que não sabe ler e nem escrever, não é capaz, não é preparado, não é humanizado, não é informado, não tem conhecimentos se tornando pessoas dependentes, alienadas, sofredoras, coitadas, perdidas. O analfabetismo em si está associado ao adulto como sujeito em particular e não a criança. Na sociedade brasileira o analfabetismo está relacionado a segregação, a exclusão social, a pobreza, a fome, a classe dominada, a ausência de direitos. Essa condição de não saber ler e escrever também está relacionada ao preconceito, descriminação, prejulgamento e estigma por parte das pessoas de um modo geral com o analfa beto. Em relação ao letramento há também um grupo de analfabetos funcionais, que sabe ler e escrever, mas não sabe se expressar, refletir, argumentar. E muitos dos jovens e adultos que saem da 8ª série estão nesta condição. Há pesquisas no Brasil que mostram que até parlamentares estão nesta condição de analfabetos funcionais não tendo condição de exercer esse cargo, pois não possuem condição de comunicação, bagagem cultural. Segundo Pierro (2007) diversos tipos de preconceitos são vivenciados pelos analfabetos e suas causas não se resumem a um processo de exclusão social ou a violação dos direitos coletivos, mas se configuram a uma experiência individual de fracasso ou desvio, que provocam repetidas situações de humilhação e descriminação vividas com grande sofrimento acompanhado de sentimentos de vergonha e culpa Em muitos relatos de pessoas analfabetas podemos observar situações que envolvem castigos como de alguém que passou pela escola e encontrou apenas palmatória ou régua na mão, joelhos no caroço de milho e zombarias dos colegas. Outros já idosos passaram por constrangimentos por não saberem assinar o próprio nome. Há relatos também daqueles que entravam no banheiro errado passando vergonha por não saberem ler. E outros analfabetos ou de pouca escolaridade que migraram da zona rural para cidade e se depararam com os estigmas que as classes dominantes lhes impõem por não atenderem suas expectativas normativas, pois os analfabetos acumulavam as condições de roceiros pobres, negros, nordestinos, iletrados, detentores de uma variação linguística não prestigiada pela língua portuguesa. Os textos jornalísticos do ano de 2005 expressavam preconceitos ao narrarem resultados de projetos para um Brasil Alfabetizado, comparando o analfabetismo a uma cegueira em que os alunos ali alfabetizados estavam saindo de um mundo escuro, obscuro por anteriormente não saberem ler e escrever e podendo assim contemplar novos horizontes. O analfabetismo era abordado ali por um médico higienista como sendo uma praga, doença cujo remédio para erradicação deveria ser a alfabetização. Outra metáfora bélica via o analfabetismo como inimigo do desenvolvimento pessoal e social que deveria ser enfrentado em meio a combate, luta, guerra da alfabetização. Outra imagem associava o analfabetismo ao contexto histórico e religioso das cruzadas em que o educador tinha a missão e sacerdócio de difundir os benefícios da alfabetização. E a educação era apontada como a solução fundamental para a resolução dos problemas sociais. Contudo em meio a esse contexto de preconceitos e rotulações ao analfabeto, podemos associar a essa condição a própria construção social vivida pelos povos que não ocorreu de forma igualitária, pois nem todos viveram a mesma difusão e distribuição da alfabetização, como aqueles pertencentes a famílias pobres e numerosas que necessitavam trabalhar e consequentemente tendo que valorizar mais o trabalho do que os conteúdos da escola. As mulheres que em vez de serem alfabetizadas tinham que ser direcionadas a aprendizagem doméstica. O grande impasse se coloca como discussão a educação resolve todos os problemas sociais ou os problemas sociais já resolvidos proporcionam condição para uma boa educação. Nesses termos se não tivéssemos que enfrentar tantos problemas sociais, como fome, desemprego, pobreza, preconceitos e outros seria mais viável as pessoas atingirem o objetivo de se educarem e se alfabetizarem sem barreiras e impedimentos, que só contribuem para aumentar o índice de analfabetismo no Brasil.

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